O ar seco e quente, o sol no chão de poeira e pedras e a falta de sombra fazem o Sertão parecer uma grande fornalha. É ali, desamparada, que a transposição racha. E quando a chuva dá trégua ao sol, amplia os estragos. Em vários trechos da obra, há fissuras, rachaduras, placas de concreto quebradas e destruídas por infiltração.
Durante uma semana, o JC rodou 2.600 quilômetros em Pernambuco, Paraíba e Ceará, 160 km à beira dos canais, muitas vezes em áreas de difícil acesso, nos 13 lotes licitados, dos 14 que compõem a obra.
Durante uma semana, o JC rodou 2.600 quilômetros em Pernambuco, Paraíba e Ceará, 160 km à beira dos canais, muitas vezes em áreas de difícil acesso, nos 13 lotes licitados, dos 14 que compõem a obra.
Para o presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Pernambuco, José Mário Cavalcanti, as rachaduras e placas quebradas são resultado da natureza contra a obra parada. "Não vai haver custo de recuperação tão alto", acredita. Dois executivos de construtoras não envolvidas na construção, em reserva, avaliaram fotos da obra. Para um, parece haver problema de escolha de materiais e de fiscalização. Para o outro, antes de emitir juízo é preciso medir tecnicamente a proporção entre danos e a extensão dos canais. O governo alega que os danos são poucos e as empresas pagarão os consertos.
No Eixo Leste, a proporção de fissuras dos lotes 9 e 12, em Sertânia, é pequena, ao contrário do lote 10, em Custódia.
A cargo da Mendes Júnior e Emsa, o lote 10 tem 39 km entre Floresta e Custódia e chama a atenção não só pelo abandono, mas porque o consórcio remendou rachaduras e recortou partes do canal de modo que os trechos parecem feitos de retalhos.
"O canal estava todo rachado. Daí botaram um trator para quebrar e cortar tudo no mês passado", conta Francinalda Aparecida. Aos 20 anos, ela cuida de um pequeno bar perto do povoado de Caiçara, em Custódia, vizinho do lote 10. A parada na obra quebrou o bar.
No Eixo Leste, a proporção de fissuras dos lotes 9 e 12, em Sertânia, é pequena, ao contrário do lote 10, em Custódia.
A cargo da Mendes Júnior e Emsa, o lote 10 tem 39 km entre Floresta e Custódia e chama a atenção não só pelo abandono, mas porque o consórcio remendou rachaduras e recortou partes do canal de modo que os trechos parecem feitos de retalhos.
"O canal estava todo rachado. Daí botaram um trator para quebrar e cortar tudo no mês passado", conta Francinalda Aparecida. Aos 20 anos, ela cuida de um pequeno bar perto do povoado de Caiçara, em Custódia, vizinho do lote 10. A parada na obra quebrou o bar.
Só tem movimento do pessoal daqui mesmo. Os "meninos" aqui bebem um pouquinho. Mas vender mesmo como primeiro a gente vendia? A gente vendia almoço, café... Bastante coisa. Aí agora é só bebida mesmo", conta ela.
A chefe de Francinalda decidiu se desfazer do bar. "Ela me disse que já vendeu. Se o dono novo quiser, espera para ver se a obra volta em março, como dizem. Vou ficar em casa. Vou trabalhar em outro bar que tem, mais distante um pouquinho, se a obra voltar", diz Francinalda.
Segundo o governo, o consórcio retomará o lote 10 este mês e bancará os reparos.
A chefe de Francinalda decidiu se desfazer do bar. "Ela me disse que já vendeu. Se o dono novo quiser, espera para ver se a obra volta em março, como dizem. Vou ficar em casa. Vou trabalhar em outro bar que tem, mais distante um pouquinho, se a obra voltar", diz Francinalda.
Segundo o governo, o consórcio retomará o lote 10 este mês e bancará os reparos.

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